Mês 01
Florianópolis, SC
Julho de 2026
Oi, Ju!
Cheguei e já estou com saudades de você. Claro que nenhuma história comigo envolvida vem sem um nível enorme de constrangimento. Começando bem, né?
Então, lá vai.
O comandante anunciou que íamos pousar. A mulher ao meu lado estava dormindo e o homem atrás de mim olhava o celular. De repente, o avião inclinou e o oceano estava em todo lugar. No meio dele, surgiu uma terra verde e irregular, cercada de água, como se o Brasil tivesse guardado um segredo aqui e tinha esquecido de contar para o resto do mundo.
Só eu vi.
Tentei tirar uma foto, mas derrubei meu celular bem no colo do homem do corredor. Ele devolveu sem nem olhar. A foto ficou completamente torta, um borrão de azul e verde. Não dá para ver nada. E, mesmo assim, é a coisa mais bonita que já fotografei.
Cheguei junto com o Vento Sul, em julho. No momento em que pisei fora do aeroporto, consegui sentir o gosto do ar. Trinta e sete anos, Ju. Trinta e sete anos sem saber que o oxigênio podia ter sabor.
No ônibus do aeroporto para o centro, uma senhora sentada do meu lado perguntou se era minha primeira vez na ilha. Quando eu disse que sim, ela não hesitou: "Vai direto ao Mercado Público. É por lá que a cidade começa."
Eu estava com o estômago vazio e sem plano nenhum além de simplesmente chegar, então fui.
O vão central estava cheio de um barulho bom. Pratos batendo, conversas rápidas e o grito dos pescadores anunciando o preço da tainha.
A história continua.
As primeiras cartas estão começando a chegar ao Primeiro Círculo. Acompanhe os próximos passos de Cartas do Litoral.
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Com o mar ainda nos olhos, Mel ✉