Cartas do Litoral
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Ilhas

A ilha que aparece do céu

MelFlorianópolisJaneiro

Vista de cima, Florianópolis parece um sonho suspenso entre o mar e a Serra. Cheguei numa manhã nublada e entendi por que dizem que a ilha aparece. As nuvens baixas escondiam o contorno das praias, deixando apenas o verde escuro dos morros visível como se flutuassem na água.

A Ilha da Magia, como os locais a chamam, não entrega seus segredos logo de cara. É preciso caminhar pelas trilhas de terra batida, sentir o cheiro de maresia misturado com a mata atlântica, e escutar as histórias dos pescadores antigos que ainda consertam suas redes na areia fina da praia da Armação.

Passei os primeiros dias apenas observando o ritmo das marés. Há algo profundamente reconfortante em um lugar onde o tempo é ditado pela natureza, não pelos relógios. Quando a luz do entardecer bate nas dunas da Joaquina, a areia ganha um tom dourado que parece aquecer a alma.

Escrevo esta carta com o barulho das ondas quebrando ao fundo, lembrando que às vezes é preciso atravessar a neblina para encontrar a magia que sempre esteve lá, esperando para ser vista.

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