Cartas do Litoral
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Memória

Cartas que nunca foram enviadas

MelReflexivoMarço

No fundo da mochila, dobradas em quatro, algumas cartas que escrevi e não mandei. Não por falta de coragem — mas porque algumas coisas se dizem melhor quando guardadas. São fragmentos de pensamentos, conversas interrompidas pelo tempo, pedaços de mim que precisavam ser postos no papel, mesmo sem um destinatário certo.

Viajar com pouca bagagem nos obriga a escolher o que realmente importa. O peso físico das coisas é fácil de medir, mas o peso emocional das memórias é o que nos ancora ou nos liberta. Essas cartas são a minha âncora invisível.

Sentada em um café simples no centro histórico de Paraty, decidi reler algumas delas. É curioso como as palavras envelhecem. O que antes era dor, hoje é apenas uma cicatriz suave; o que era dúvida urgente, tornou-se apenas mais uma história pra contar.

Decidi compartilhar um pedaço dessas lembranças com você. Não as cartas inteiras, pois essas ainda me pertencem, mas o sentimento que as originou: a certeza de que escrever é, acima de tudo, um ato de escutar a si mesmo.

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