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O que é renda de bilro? História, tradição e onde ver em Florianópolis

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A renda de bilro é uma técnica artesanal de tecelagem feita com fios enrolados em pequenos pinos de madeira chamados bilros. Em Florianópolis, ela se tornou uma das expressões culturais mais conhecidas da herança açoriana e continua viva em bairros tradicionais da ilha.

Mais do que um objeto decorativo, a renda de bilro carrega tempo, repetição, memória e habilidade passada entre gerações, aprendida desde os seis anos de idade, da mãe para a filha, da avó para a neta. Em muitas comunidades costeiras, era o trabalho principal das mulheres enquanto os homens pescavam.

A artesã trabalha com dezenas de fios presos a uma almofada. Cada fio fica enrolado em um bilro de madeira. Ao cruzar, girar e tensionar esses fios em sequência, nos pontos chamados tramoia, maria-pinto e ponto-de-meia, surgem desenhos delicados e precisos. O som costuma chegar antes da imagem: madeira tocando madeira em ritmo constante. Toc-toc-toc. Quase como chuva organizada.

A técnica veio com imigrantes açorianos a partir do século XVIII. Em comunidades costeiras da Ilha de Santa Catarina, especialmente onde famílias viviam da pesca e da vida doméstica, a renda encontrou espaço para permanecer. Com o tempo, tornou-se parte da identidade local, tão conhecida quanto as dunas da Lagoa, como dizem os moradores mais antigos.

A tradição existe hoje em parte por esforço institucional. A Fundação Franklin Cascaes transformou um casarão da Lagoa da Conceição, construção do início do século 20, no Centro de Referência da Mulher Rendeira, com espaço para venda e oficinas. O projeto faz parte do PromoArt, programa do Ministério da Cultura que selecionou 65 polos de artesanato tradicional no Brasil inteiro.

Mas a transmissão natural está se perdendo. Uma rendeira entrevistada em 2013 disse sem rodeios: não passou para as filhas, ninguém quis aprender. A modernidade trouxe outras opções de trabalho. O que antes era o único trabalho disponível agora compete com tudo.

Alguns dos lugares mais conhecidos para encontrar essa tradição: a Avenida das Rendeiras na Lagoa da Conceição, Ribeirão da Ilha e Santo Antônio de Lisboa. Em alguns espaços ainda é possível ver rendeiras trabalhando ao vivo, o que muda completamente a experiência de entender a peça pronta.

Porque certas habilidades ensinam algo raro hoje: atenção contínua. Cinco centímetros podem levar uma tarde inteira. Um desenho exige repetição sem pressa. Nada acontece instantaneamente. Em um tempo que valoriza velocidade, a renda de bilro preserva outro tipo de inteligência.

Algumas coisas só podem ser entendidas quando vistas devagar.

Perguntas frequentes

O que significa bilro?

Bilros são pequenos pinos de madeira usados para enrolar e manipular os fios durante a tecelagem.

A renda de bilro é exclusiva de Florianópolis?

Não. A técnica existe em outros lugares, mas em Florianópolis ela tem forte ligação histórica com a cultura açoriana e ainda é praticada em bairros tradicionais da ilha.

Onde é mais fácil encontrar?

Avenida das Rendeiras na Lagoa da Conceição, Ribeirão da Ilha e Santo Antônio de Lisboa são as referências mais conhecidas.

Onde ver renda de bilro em Florianópolis?

Os principais pontos são Santo Antônio de Lisboa, Ribeirão da Ilha e o Mercado Público, onde algumas artesãs ainda trabalham ao vivo. O Museu de Arte de Santa Catarina também tem peças do acervo histórico.

A renda de bilro ainda é feita à mão em Florianópolis?

Sim. Há artesãs ativas, especialmente nas comunidades do sul e do continente. A produção é pequena e cada peça é única.

Dá para comprar renda de bilro como souvenir?

Dá, mas com calma. Evite peças industrializadas vendidas em lojas de turismo. As peças legítimas vêm diretamente das artesãs, custam mais e valem a diferença.


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