Ribeirão da Ilha: o bairro mais antigo de Florianópolis que parece outra cidade
Ribeirão da Ilha fica no sul da Ilha de Santa Catarina, virado para o continente, com o mar calmo de um lado e o Morro do Ribeirão, o ponto mais alto da ilha com 532 metros, do outro. É um dos bairros mais antigos de Florianópolis: tornou-se distrito em 1809, mas a história do lugar começa muito antes. Os primeiros navegadores europeus chegaram por aqui por volta de 1506, atraídos exatamente pela proteção que a baía oferecia contra os ventos mais fortes.
Por volta de 1746, com a colonização açoriana da ilha, cerca de 50 famílias se estabeleceram no Ribeirão. Plantavam mandioca, milho, cana-de-açúcar e linho, usado nas redes de pesca. A comunicação com o centro da ilha era feita pelo mar, pelos mangues e rios. A via terrestre era mais difícil. Por isso o Ribeirão chegou a ter três portos em funcionamento ao mesmo tempo.
O centrinho guarda essa história nas paredes. As casas são baixinhas e coloridas, cada fachada num tom diferente, como se cada família tivesse escolhido a cor num dia distinto. A Igreja Nossa Senhora da Lapa fica no alto da praça, fundada em 1806 e concluída cerca de 30 anos depois. Dom Pedro II visitou. O cemitério fica ao lado, como era comum nas igrejas mais antigas, onde os padres e as famílias de maior influência eram enterrados dentro do próprio templo.
Na praça em frente à igreja, moradores jogam dominó. Não é performance para turista. É o que acontece ali num domingo à tarde.
A renda de bilro ainda existe no Ribeirão. Em algumas casas com a porta aberta, o som chega antes da imagem: madeira batendo em madeira num ritmo constante, como chuva com intenção. As rendeiras trabalham com dezenas de bilros cruzando sobre a almofada, sem olhar para os dedos. Cinco centímetros de renda podem levar uma tarde inteira. Quem entra para ver costuma ficar mais tempo do que planejava.
O Ostradamus é o restaurante mais antigo do bairro e tem fazenda própria de ostras, as fazendas ficam visíveis do outro lado do trapiche, na baía. Filé de peixe, moqueca, frutos do mar, as porções são grandes, os preços mais altos do que o centro da cidade. Vale pesquisar antes de sentar.
O mar aqui não é para banho. A baía é calma, voltada para o continente, sem ondas. É para sentar, olhar e não fazer nada em particular. No inverno, com o movimento reduzido, as mesas à beira d'água ficam com espaço e tempo. É o tipo de lugar onde a tarde passa sem que ninguém peça a conta.
Perguntas frequentes
Como chegar ao Ribeirão da Ilha?
De carro é a opção mais prática, fica a cerca de 30 minutos do centro de Florianópolis. Uber e aplicativos de transporte têm pouca oferta no retorno, especialmente à tarde. Quem for sem carro deve planejar o retorno com antecedência.
O que fazer no Ribeirão da Ilha?
Visitar a Igreja Nossa Senhora da Lapa, caminhar pelas ruas do centrinho, ver a renda de bilro nas casas abertas, almoçar num dos restaurantes à beira da baía e observar as fazendas de ostras no trapiche. É um lugar para meia jornada, não um dia inteiro.
Dá para tomar banho de mar no Ribeirão da Ilha?
Não. A baía é calma e voltada para o continente, sem ondas, sem as condições das praias oceânicas da ilha. O Ribeirão é para comer, caminhar e ficar, não para nadar.